sexta-feira, setembro 22, 2006

«Come a papa, Papa, come a papa..»

Távamos nós, como de costume no Salta, quando de repente, nos apercebemos de um roncar familiar. Era o Assam que parava o chasso em cima da passadeira como de costume. «Este gajo é sempre a mesma coisa!... não tem respeito nenhum pelas nossas leis!» disse o Horácio, que já lá tinha sido multado duas vezes. «Ó pá, não sejas assim... sabes perfeitamente que ele não faz por mal... corre-lhe na massa do sangue...» disse o Sereno com o seu habitual ar gozão. «Como assim??» replicou o Horácio. «É que na terra dele, não há passadeiras, pá!» disse o Sereno. «E as zebras são para atropelar para haver carne para o jantar... lololol» disse eu. «Atão Assam?... nova remessa de carapuças?» perguntou o Horácio já devidamente descarregado da sua falsa indignação. «Pois é!... Agora com o aniversário do blog, venderam-se todas... continuam a ser um verdadeiro exito comercial!... Por este andar o Tonel ainda vai passar férias para Mira!» respondeu o Assam. «Já fui, pá!... Sabes como é que é... campismo, Canas, praia, esplanada, cerveja, abeques... que mais pode um homem querer?...» perguntei eu. «Abeques???...» perguntou o Cabana. «Sim, pá! aquelas gajas que falam franciú mas gemem em português...» explicou o Sereno. «Ahhh!... já entendi... vocês e a vossa mania dos estrangeirismos..» respondeu o Cabana. «Mas, ó Assam, é impressão minha ou andas um bocado cabisbaixo?» perguntou o Horácio. «O problema resume-se a uma palavra: Papa!» respondeu o Assam. «Julgava-te um bocado velho para esse tipo de ementa!» disse eu. «Não é isso... O Papa!... e as suas declarações a dizer que nós somos todos uns terroristas!» disse o Assam. «Ó pá... tens toda a razão... tá bem que vocês nos consideram uns mentecapatos imperialistas ou selvagens medievais que tiveram a sorte de ser militarmente mais fortes... mas isso não é razão para vos chamar terroristas!» disse o Horácio indignado. «Até porque nós somos os únicos que temos uma guerra sagrada pela fé!...» disse o Assam. «Essa da guerra pela fé é que eu nao entendo!» disse o Cabana como de costume. «E achas que alguém entende?... perguntou o Sereno. «Ouve lá o Assam, voces não têm anedotas sobre os cristãos?...» perguntei eu.«Claro que temos... são de cagar a rir!» respondeu. «E não nos consideram boçais?...» continuei. «Na maior parte das vezes, sim!» explicou novamente o Assam. «Não partilham da ideia dos Judeus de que os Cristãos são uns idolatras?» perguntei novamente. «Por acaso, sim!» voltou a responder o Assam. «Não são vocês que acham que os mártires são recompensados por não sei quantas virgens se se suicidarem em nome de Alá?» continuei. «Claro... todos nós acreditamos nisso!» continuou a responder. «Não são voces que responderam com ataques a igrejas, freiras, e católicos nos paises de maioria moçulmana?» continuei as minhas perguntas. «Mas isso só acontece nos países em que vocês estão em minoria... aqui a minha comunidade não tem esse tipo de atitudes!... Nós somos mais moderados...» Respondeu o Assam, começando a ver o caso mal parado... «Da-se... ainda bem que voces aqui estão em minoria... senão tavamos todos fodidos!» interrompeu o Cabana.
Comments:
Um episódio de uma cultura deveras inteligente, té ken'fim q voltas a contar as tuas histórias fantabulásticas_
Dá-lhe moço!
 
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