segunda-feira, março 13, 2006
Broke-back mountain

Na Sexta-feira passada, após os habituais 30.000 picôlos no «balcão mais perigoso do mundo» (vulgo... «o gajo que faz um cento»), lá fui eu buscar a minha pequenita Renata Vanessa ao Jardim-escola (ou lá como se chama essa coisa cara comó caraças). Estacionei a casaleira e aguardei pacientemente a saída das criancinhas...
«Tenho de disfarçar, porque hoje em dia não se pode olhar directamente para criancinhas!!!...» pensei eu enquanto outros pais olhavam desconfiadamente uns para os outros. «O Xixi, Titi, ou lá como o raio do home se chama, tava fodido, se se viesse aqui armar em esperto...!!!» pensei eu novamente....
Finalmente, lá começaram as criancinhas a sair da sala de aula. E ao mesmo tempo que os papás iam mantendo «um olho no burro e outro no cigano», aconteceu uma coisa estranha: «Ai o meu querido filhinho todo esmurradinho!!!» dizia a D. Felizmina enquanto corria de braços abertos para o seu Petiz... «O que foi???... Nunca viram, seus porcos pedófilos???» disse ela para nós, enquanto abraçava e punha ao colo o seu rebento... Se ela tivesse cabedal para levar umas «lambarices», tinha sido logo na hora.... mas tive pena dela... ficou a um picôlo de distância de uma «cura de bronzeamento rápido»... enfim... como se diz no Luso: «Vozes deburro, não chegam ao céu!».
De repente, mais gente começou a gritar e a correr para os seus rebentos (que pareciam saídos de um filme do Trinitá)... entre cabeças enfaixadas, braços ao peito e olhos «à belenenses», a saída do jardim-escola (o lá como se chama aquela coisa), parecia a saída da pedo-ortopedia de um qualquer hospital pediátrico (neste caso «pedo», não tem nada a ver com bufas... atenção hãã!). «Mas o que teria acontecido?!!» pensei eu, sabendo que a resposta se aproximava à velocidade de um saltitar de menina traquinas (e venenosa)....
«Papá???... Papá??... tu percebes alguma coisa de inglês?» perguntou ela. «Tás a brincar comigo!!... achas que entre assentar tijolos, fazer paredes, encher placas, comer e beber minis e aturar a tua mãe, há tempo para essas coisas???...» respondi-lhe eu. «Pois devias, papá!!... assim podias esplicar-me porque é que estes meninos desataram todos à pancada quando um deles convidou os outros para irem brincar aos Cowboys!» explicou ela. «Homessa!!!!!... tás a chamar ignorante ao papá!!!.... Vamos já comprar um dicionário para «resolber» a questõ-e!» disse eu, enfiando o penico com asas de cabedal na cabeça e dando o «coiçe» da praxe para pôr a casaleira a trabalhar.
Mais tarde, já em casa e munidos do dicionário, lá explicou a minha pequenita: «Sabes papá, os meninos só começaram à pancada, quando um deles disse que essas brincadeiras eram só pró gajos tipo broke-back-mountain... não entendi muito bem... vê lá o que é que isso quer dizer, papá?!» perguntou ela.
Comecei a desfolhar o precioso livro (porque todos os livros são preciosos), e li: «mountain - montanha, lugar de grande altitude, simbologia: desafio, situação dificil, dificuldade, grande quantidade». «Boa papá!!! Agora tudo começa a fazer sentido!!!... Continua papá. «Back - traseira, parte de trás, costas; 2 - forma do verbo voltar» continuei eu. «Eu bem que desconfiava... só assim se explica... mas continua papá... continua...!» insistiu ela. «Broke - partido, estragado, inutilizado» concluí eu.
«Bingo.... papá!!! Já entendi!!!... quando o menino disse aquilo, estava a dizer que aquilo era brincadeira só para quem queria uma GRANDE QUANTIDADE DE TRASEIRAS ESTRAGADAS... não achas???»... concluíu a minha pequenina Renata Vanessa. «Ainda vais chegar a inspectora da Judiciária»... disse eu a transbordar de orgulho, sobre a capacidade dedutiva da minha pequenita....